quarta-feira, 30 de maio de 2012


Perdido

Me sinto estranho, e não me sinto,
não sei se penso ou se só sigo o instinto;
Eu me perdi quando fui me procurar,
e, agora nem sei mais no que pensar.

A vida mudou e me emudeceu,
calou a voz que sempre me moveu;
Mal inspirado, vou por insistência
pra bater de frente com a malevolência.

Eu me arrisco pra ver até onde consigo,
sem contar com tapa nas costas, prossigo;
Até porque, nem todos vem pra incentivar,
a grande parte só consegue me desanimar.

É natural não ser levado a sério
quando se faz de sonhos, mistérios.
Mas desacreditar de que eu possa vencer,
é como duvidar de que o Sol vai nascer.

Cheguei ao ponto de não saber quem sou,
talvez restou o corpo e a alma se mudou;
Se perdeu no mar, e naufragou sem sorte,
e congelou-se a seco pra enganar a morte.

A noite engole o sono e os sonhos que vem,
durmo aprisionado nas sombras do além.
Hipnotizado pelas músicas celestiais,
que em minha cabeça, ecoam magistrais.

Nesse deserto de escuridão,
surge ao fundo um pequeno clarão;
Que não me mostra ao certo o que é,
nem se devo esquecer ou depositar fé.

Eu sinto medo, prevendo a dor,
não sinta pena, me sinta amor!
Parte de mim te quer por inteira,
a outra parte não quer nem por brincadeira.

Mas vou continuar sem pressa,
e pra onde estou indo não interessa;
Só vai saber onde quero chegar
quem na linha de chegada estiver a me esperar.

E o meu maior desejo no momento
é encontrar teu perfume perdido no vento;
Ditando o caminho que devo seguir
e poder ao seu lado, finalmente, sorrir.

sexta-feira, 25 de maio de 2012


Viajei

Ah, aquele sorriso...
O Sol deve invejar seu brilho!
Ah, aquele olhar...
Me fez voar e desgarrar do trilho!

Fui longe pra te encontrar
e mais longe ao te conhecer;
Voltei, quase que amarrado,
pois na volta não trouxe você.

Em um lugar semelhante ao paraíso,
com cada paisagem de faltar o ar;
Foi em suas curvas que fiz
a melhor viagem que podia imaginar.

Intenso, pegado! Delícia!
Carícia, mordida e loucura;
Queria senti-la de novo,
e ao lembrar que não posso, isso me tortura.

Seus beijos me enfeitiçaram,
e seu jeito logo me ganhou;
Meu peito ainda guarda o buraco,
vazio, do jeito que você deixou.

E a vida, injusta que só,
ainda brinca com a realidade;
Pois tenho você em meus sonhos
mas quando acordo vejo que não é verdade.

E o que me resta, além de saudade,
é a esperança de te reencontrar;
Para tê-la de novo em meus braços
e ter mais momentos pra eternizar.

terça-feira, 22 de maio de 2012


Pé no Balde

 Me sinto mais leve, livre, flutuando,
quebrei as correntes que estavam me segurando;
Em mar aberto, frente ao horizonte.

Não estou mais aprisionado
na ilusão de ter alguém ao meu lado;
Se agi errado, o futuro que me afronte.

Expectativas geram decepções,
machucam e despedaçam os inocentes corações;
Por isso hoje sei que estou melhor a sós.

Minha outra metade o mundo escondeu,
então não me apresso em ter hoje o que logo será meu;
e um dia, oque é "eu", enfim, será "nós".

Me apaixono por olhares e sorrisos,
sou flechado por Cupidos com dardos precisos;
Mas, descobri um antídoto capaz de me imunizar.

Já não me entrego tão fácil e tão rápido,
pois não me agrada a ideia de um romance pálido;
Não dedico minha seriedade a quem só quer brincar.

Por mais que conheça mulheres atraentes,
de corpo perfeito ou inteligentes;
O perfume que exalam cheira a sofrimento.

O amor não me causa mais frios na barriga,
por mais que algumas me deixem na estiga;
Se for pra me entregar, que seja só por um momento.

Me entrego à essa vida ímpar de vez,
metaforicamente - fugindo da lucidez;
Sou um sujeito no singular vivendo um presente imperfeito.

Viverei natualmente sem me pressionar,
e enquanto nenhuma garota realmente me impressionar;
Guardarei, carinhosamente, esta lacuna em meu peito.